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Biografia Imperfeita

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Nasci em 1949 no seio de uma família humilde, numa aldeia com casas de xisto lá por Trás-os-Montes rodeado de pastos verdejantes e um ribeiro à cintura. Como homem do campo andava sempre a pé. Só às vezes é que andava a cavalo num burro, mas isso era só às quartas e quintas. Muito moço passava os dias a passear as ovelhas e o porco-do-meu-pai naqueles pastos verdejantes. À noite sonhava com a Virgem, porque na aldeia havia poucas ou nenhumas. Suponho que emigraram para França. Herdei, está bom de ver, o empenho e a devoção às causas místicas da parte da minha humilde mãe. O meu pai era um militante comunista com actividade clandestina entre congressos. Desejava que eu me realizasse como engenheiro agrónomo, o que não aconteceu. Mais tarde casei com a Maria de Jesus que ainda era minha prima e ás vezes minha irmã, e só quando lhe convinha é que era minha mulher. Confesso que nunca dormi com ela. Fugi para Lisboa, depois de matar os meus pais como foi noticiado dramaticamente e levado à cena num teatro e passei a frequentar a noite lisboeta. Ia todos os dias ao Ritz-Clube onde conheci a intelectualidade anti-regime. Fiz uns sonetos publicados e dedicados à minha segunda mulher, mas a maior obra de folgo e de arremesso foi o ensaio "Que Fazer, com esta gente da Esquerda?". Ainda tive tempo de tirar a 4ª. classe na Machado de Castro e dali até ao jornalismo foi um pulo. Penso fazer uma plástica para retirar aquele meu "ar" rural que ainda sou possuído e ficar bem na moldura do tempo e que, assim, possa perpetuar a minha rápida ascensão social que sem o 25 de Abril de 74, e os valores democráticos e fiel seguidor da doutrina de Francisco Sá Carneiro não seria possível. Se Deus me der mais anos de vida penso um dia regressar triunfante a Trás-os-Montes.


***

Termino aqui a galeria de tipos esquisitos que vos apresentei e qualquer relação com pessoas, factos ou bens conhecidos, não é da inteira responsabilidade do autor. E não desperdiço a ideia de arrumar uns dias de férias no Algarve até segunda-feira.
Um grande fim-de-semana para todos.


7 comentários:

Pascoalita disse...

É o que eu digo:

"Um talento escondido, ou melhor adormecido" eheheh

De repente deu-lhe para o drama. Mas ias tão bem ... porque te ficas por aqui?

jinho

Laura disse...

Bem, tens pai e tens mãe e afinal nem os mataste, aquilo era enredo de peça Teatral, credo rapaz; nunca sei quando mentes ou dizes coisas verdadeiras... és mais novo que eu...nasci em Dezembro (tá quase a chegar) de 1951...
Ahhh a primeira mulher, caramba a sorte que tiveste e nem o nome ajudou!... Mas eu fiquei na mesma, maridos já vou no segundo e? que raio de vida e vidas!, mas, andor.
Pois escreves bem pa caraças...que agilidade na pena, e viver em comunhão com a natureza é que é bom, embora custe, mas semrpe é melhor que estar aqui entalado na cidade. Um beijinho da laura..e a quantos fazes anos, ou seja é de que mês?

Roderick disse...

E sem ninguém o conhecer em trás os montes. Depois da Plástica!

Teté disse...

Posso responder à Laurinha, Carlos?

Não sei de 1949 é o ano do nascimento dele, mas se for é mais velho que tu, que nasceste em 1951, certo? Baralhaste-te, amiga! :))) A data do aniversário é 6 de Novembro...

Bom, mais um texto à Carlos, surrealista ou de non-sense, mas delicioso e hilariante como sempre. Quer dizer, o texto, não o protagonista, que esse é execrável! :)))

Espero que o fim de semana algarvio tenha sido agradável.

Jinhos!

L.S. Alves disse...

Bem estranha a sua galeria de personagens. Obrigado por nos apresentá-los.
Um abraço.

Laura disse...

ahhh teté, bem que me esquecid e ir buscar a maquineta e so sinto que o homem nem diz a verdade e penso que ele é mais novo que eu...Bigadão pelo acerto senão passava...boa nina, és um amor..Beijão pois e um ji a todos..laura..

Laura disse...

mas o homem mente com tanta coisa ao emmso tempo, diz que matou o pai depois a mãe depois fala neles que ainda por cá estão, enfim, este carlitos dos iss tráz-nos em suspense...