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Histórias do Absurdo

segunda-feira, 24 de novembro de 2008



Intrigado pelo desaparecimento de uma foto de Madalena Iglésias aqui no Luz itânia, inserido para melhor ficar na moldura, no post com o título Carta de Madalena Iglésias a Luís Vaz de Camões, reflecti seriamente a quem é que o referido retrato desmerecia para tal acto sensório. Depois de algumas horas absorto sobre este episódio, não cheguei a nenhuma conclusão decente. O caso é aborrecido para mim, porque acreditem, sempre gostei da Madalena Iglésias. Tenho os discos todos dela, quer os LPs, quer os EPs. Vi os filmes todos dela, principalmente com o António Calvário. Das polémicas que houve em torno das rivalidades entre os fãs de Madalena Iglésias e Simone de Oliveira eu sempre estive ao lado dela. Sei cantar ainda hoje os seus grandes êxitos. Por isso, não fazia sentido serei eu próprio a retirar a foto. Quem teria sido os autores deste absurdo? Pressões da própria!? Bom, não importa!


Matei o meu Pai


Sentei-me por uns instantes muito breves, no cemitério a observar o céu azul. Pairava uma brisa muito leve no ar que fazia oscilar os ciprestes. Tinha ali sepultada naquele enorme jardim de pedra toda a minha família. Apenas não chorava a morte do meu pai.
Tinha um ódio visceral ao meu pai. Sempre me contrariou nas minhas aspirações até as mais ingénuas e infantis. No entanto, sabia das suas preocupações quanto ao meu futuro. Um futuro delineado por ele evidentemente. Desde tenra idade que a sua figura me inspirava uma mistura de ódio e compaixão. Discutimos muito quando eu fiz 62 anos. Foi como fazer a catarse das nossas vidas. Mas, sobretudo matei-o porque detestava as suas botas pretas que sempre usou toda a sua vida. Enterrei-o ainda vivo. Julgo que ainda anda por aí.

14 comentários:

Teté disse...

A foto da Madalena Iglésias desapareceu? Isso deve ter sido algum fã ciumento... :)

Mataste o teu pai em conversa com ele no cemitério? Mas os homens de antigamente tinham muito a mania de decidir o futuro dos seus filhos: para os homens, profissionalmente, para as mulheres, maritalmente. Enfim, felizmente esses tempos já passaram... ;)

Beijoca!

Laura disse...

Lavo daí as minha smãos, acho a madalena muito bonita e se canta ou cantava bem, nem o posso dizer, mas tirá-la? credo, há gente para tudo...

quanto ao teu pai, tomara eu desenterrar o meu e continuar a nossa bela relação de pai e filha, cheia de amor, carinho e por vezes acesas discussões pela forma como eu encarava a palavra religião!...e continuo nas minhas convições ehhhh. beijinhos e deixa lá o homem, eles nem sempre correspondem aos nosso ideais, a minha mãe tem um feitio lixado e nada tem a ver com o meu pai, mas..é a vida e assim, tentemos passar por cima do que não nos agrada... faz favor hoje é dia de passares no resteas..e clicar na imagem e ouvir e ler o que escrevi..

Roderick disse...

Isso de matar o pai é brutal.
Se bem que por umas botas, é caso para pensar, claro!

Laura disse...

ah, as botas pretas do homem que tu detestavas e quem sabe; para tu andares de sapatos novos andava ele com os velhos! Não pensaste se seria isso?...Costuma ser assim; damos tudo aos filhos e ele nem devia ser diferente. carlitos dos iis, já pedir perdão ao pai!... e prometes que não matas mais o homem!...

Carlos II disse...

Vocês sabem quem usava sempre botas com elástico dos lados? Isso mesmo era o Salazar. Por isso lhe chamavam o bota de elástico. Ele apesar de morto anda aí!

Teté disse...

Ah, pois é, Carlitos, isto do absurdo tem o seu preço! Sei lá que botas o ditador usava?! Tinha 9 anos, quando ele caiu da cadeira... nem percebi porque é que a malta achava piada ao assunto!

Ele não anda por aí, não! É apenas um fantasma, que ele sempre foi ruim em vida, na morte não havia de tentar atazanar mais??? Mas passa, vais ver que passa... :)

Jinho!

Carlos II disse...

Teté,

Anda por aí sim senhor!
Esta mentalidade tacanha que persiste nos portugueses. As acções persecutórias que ainda hoje existe. A ideia da defesa e protecção dos "nossos". A mania das grandezas, enfim. Uma lista que se confunde de facto, com o nosso enquadramento democrático volvidos 30 anos.

Pascoalita disse...

Puxa! Entendo que tenhas ficado desnorteado com o desaparecimento da foto de madalena, mas daí até matares o teu pai ...

Suspeitas que tenha sido ele o larápio? Bem, se ele anda po aí, não me admirava que fosse o autor do furto. E quanto ao mote do crime, talvez nutrisse uma paixão pela cantora, tem o mesmo direito a ser fã dela, ou não?

Olha, sabes que mais? Acabei de ler um comentário no meu post "momento kafkaniano" que depois de ler isto estou inteiramente de acordo ... anda por aí muita inspiração kafkaniana camuflada ... ora passa lá se queres endender o que digo eheheh

E em relação ao "botas" olha que lamento que não tenha deixado um herdeiro! Sou daquelas que acha que estamos a precisar de um ditador para fazer vingar a democracia!!! Fiz-me entender? Não? Então se calhar também já estou sob influência metafórica ahahahah

Beijokas

Laura disse...

Olha, eu apenas queria que aparecesse um Bom Vivant que levasse o nosso Pais aos pincaros e houvesse trabalho, um lar e pão para todos, as prisas acabassem, as escolas de regenração também, e todos teriam familia, lar e estudos e seriam boas pessoas..eu sei que é uma utopia, mas um dia sim, haverá tudo isso...o salazar é que anda por aqui pascoalita, em espirito a contaminar as mentes!...ehhhh. os kafkafianos eus ei lêem demais e..mas nunca li nenhum livro dele, embora haja muito ganete falar sobre ele..Beijinhos.

daniel disse...

Carlos II

A histária do pai, que penso ser metáfora, no diz respeito a botas, era do tempo. O meu também sempre usou botas.
Problema de blogues, parece haver em todos os quadrantes. No mitalaia do Sol obtiram-se sete posts.
Os filmes de que falas, são do tempo da minha estória poética.
Um abraço,
Daniel

daniel disse...

Carlos II

A histária do pai, que penso ser metáfora, no diz respeito a botas, era do tempo. O meu também sempre usou botas.
Problema de blogues, parece haver em todos os quadrantes. No mitalaia do Sol obtiram-se sete posts.
Os filmes de que falas, são do tempo da minha estória poética.
Um abraço,
Daniel

daniel disse...

Carlos II

A histária do pai, que penso ser metáfora, no diz respeito a botas, era do tempo. O meu também sempre usou botas.
Problema de blogues, parece haver em todos os quadrantes. No mitalaia do Sol obtiram-se sete posts.
Os filmes de que falas, são do tempo da minha estória poética.
Um abraço,
Daniel

Carlos II disse...

Sim, caro Daniel. Pretendia dizer com esta história metafórica que, ainda hoje sofremos influência de uma certa cultura salazarista.

Um abraço

L.S. Alves disse...

Gostei do "conto". E quanto ao Salzar e ditadura e democracia, ainda prefiro o arremedo de democracia que temos aqui do que a sincera ditadura que havia antes.
Um abraço.