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Scolari

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O futebol faz parte integrante da cultura de um povo. O português gosta particularmente do futebol e vive apaixonadamente tudo que se relaciona com ele, sobretudo quando está em jogo a selecção nacional. A questão, no entanto, não é para mim muito pacifica, embora goste também de assistir a uma boa partida de futebol. Não é pacifica, porque o futebol ao mais alto nível, perdeu a sua ingenuidade inicial, para se tornar presa fácil de uma concepção economicista do desporto, assente na lógica de investidores e empresários. Entretanto, o fan do futebol, aquele que o vive diariamente, continua agarrado à sua paixão, sem que se aperceba que faz parte integrante de um sistema globalizante de interesses, que tudo condiciona ultrapassando os nacionalismos e clubismos existentes, sem contudo, tirar qualquer proveito. A não ser ajudar a sua auto-estima, qual catarse colectiva.

Toda a gente ficou espantada com a decisão do seleccionador nacional, L.F. Scolari ter anunciado a sua saída da selecção das quinas para em breve cumprir um contrato super milionáro no clube inglês do Chelsea. Tudo isto numa fase crucial do europeu em que a selecção é parte interessada. Por isso, foi muito criticado o timing do anúncio daquela decisão. Mais interessante, é que segundo se sabe agora, no hotel da selecção passearam agentes nos corredores à procura de negociatas. Os alvos preferenciais são as figuras mais mediáticas do planeta do futebol e da selecção nacional e sobretudo a sua principal vedeta, o famoso nº. 7 C. Ronaldo.

Scolari faz bem em tratar da sua vidinha, mas o seu apelo à defesa dos seus atletas e aos interesses da selecção e ao seu "patriotismo" nunca me enganaram.

Scolari foi muito inteligente ao explorar as idiossincrasias do povo português e o contexto em que vivia na altura a selecção nacional. Encenou uma farsa - o caso das bandeirinhas nas janelas e o apego a Portugal - mas para seu proveito próprio. O que ganhou em termos desportivos? Nada. E desconfio que nada mais vai ganhar. E desculpem os meus visitantes da Luz itania pouco versados nestas coisas da ciência do futebol, o Felipão é um zero em termos tácticos, mas sim muito forte apenas no aspecto psicológico. Foi aqui que ele ganhou e enganou os mais incautos.

Não se enganem, esta gente anda toda a tratar da sua vidinha, desculpando-se com a alegria do povo e desta industria que faz movimentar milhões.

6 comentários:

Teté disse...

Ah, Carlitos, concordo contigo que andam todos em busca de contratos milionários, a tratar da "vidinha" deles. O Scolari não é o único!

Quando o Figo se mudou do Barça para o Real Madrid os espanhóis apelidaram-no de "pesetero" (de peseta). Mas acho mais signifificativo, que agora que está a acabar a sua vida profissional, escolha Madrid para ir viver. Critico-o, eu? Não! É certo e sabido que se vive melhor lá do que cá, por muito que nos pese reconhecer...

Mas ainda quanto ao Scolari: a divulgação da notícia não partiu dele, mas do Chelsea (clube de um russo milionário, vá-se lá perceber como...); se a psicologia do treinador levou a selecção nacional a chegar tão longe nos últimos anos, mesmo que falhe em alguns aspectos tácticos, não me parece que os portugueses se possam queixar da ineficácia do mesmo...

Será convertido em herói nacional se ganhar o CE, em biltre, se não o conseguir. Nesta terra, passar de bestial a besta é uma questão muito relativa!

Sem ligar muito ao futebol - que há outras questões que considero mais importantes - não alinho muito nestas histerias colectivas, quer de euforia, quer de condenação.

Ops, jinhos para ti, que já me alonguei um bocado... :)

Pascoalita disse...

Bem ...
Concordo com quase tudo o que dizes! Descreves duma forma inteligente e ao mesmo tempo bem perceptível aquilo a que chamo de "mundo podre" e desvirtualiza o que é genuíno e puro.

Quanto ao Scolari, tão criticado ultimamente, é preciso dizer-se que não foi ele quem deu a notícia bombástica! Continuo a achar que tem a melhor postura e correcção e quero ver quem depois dele fará melhor. Já me contentava se o seu sucessor mantesse o nível na selecção.
Não percebo nadika de técnicas ou tácticas de jogo, mas percebo de relações humanas e de espírito de equipa e nisso ele é exímio.

Não acredito que tudo o que vimos fazer a Scolari tinha como único objectivo o interesse próprio. Continua a ser a pessoa ligada ao desporto que mais admiro como ser humano. Provavelmente sou só um dos muitos portugueses que se deixou ludibriar eheheheheheheh

bjinhos

Pascoalita disse...

Correcção:

tentando elevar o comentário ao nível do post, voltei para colocar o verbo "manter" no tempo próprio, ou seja, no "imperfeito do conjuntivo". E sendo assim, onde ficou mantesse, deve ler-se "mantivesse".

Adrianna disse...

Claro que só um tolo poderia esperar que Scolari recusasse uma proposta de trabalho choruda como será esta!

No entanto não concordo cxom a opinião geral de quem quase o crussifica. Fico até muito incomodada com a polémica que se vem criando à volta do assunto. Pode não ter surgido na altura oportuna, mas não me parece que possamos acusar Scolari disso!

A verdade é que as pessoas (as massas) que colocam alguém num pedestal, são as mesmas que depois desvirtualizam o santo.

Admiro muito Scolari. Considero que ainda é dos poucos que trabalha com seriedade e põe muito de si no que faz. Tenho imensa pena que a selecção perca o melhor seleccionador que algum dia teve ou voltará a ter (oxalá esteja enganada), desejo-lhe o maior sucesso tanto profissional como pessoal.

O futebol de alta competição nada tem a ver com o futebol genuíno que felizmente ainda se continua a praticar nos pequenos clubes de aldeia.

bjs

Cusquinha endiabrada disse...

Hummm aposto que estás esparramado no sofá olhar fixo na tv a ver o França Itália!
Que ganhe o melhor, se é que há alguma equipa superior ... olha só o francês que ontem era um dos melhores e hoje meteu no burado errado ahahahah

L.S. Alves disse...

O Felipão com certeza é um grande treinador nos clubes brasileiros ele conseguia tirar leite de pedra, que o diga o título da copa do Brasil que ele conquistou com o Criciúma. Apesar de não ser grande fã de futebol vejo-o como uma pessoa séria e comprometida. E como profissional ele fez o melhor pra si. Projetou-se com as seleções brasileira e portuguesa. Conseguindo dessa forma alavancar esse contrato milionário. Mas não sei se ele vai se dar bem na Inglaterra. Com aquela característica de não se deixar manipular eu não creio que ele se ajustará ao novo time.
Um abraço.