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Lima de Freitas

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Por oposição à nossa sociedade da informação, do consumo, e da produção de estímulos fáceis, do imediatismo e da diversão, paremos para reflectir e olhar para os nossos pátios interiores.

Esta é em parte a síntese da obra e do pensamento de Lima de Freitas. Pintor, desenhador, filósofo, nascido em Setúbal (1927). Faleceu em Lisboa (1998).

Da sua obra destaco os 14 painéis destinados à estação ferroviária do Rossio, inspirados em Mitos e Lendas de Lisboa.

Decorre ciclos de conferências em torno da obra de Lima de Freitas até ao fim deste mês em Sintra na Quinta da Regaleira.

Trabalhos Desactivados III

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Convento das Bernardas (Tavira)

No extremo da cidade de Tavira, junto às salinas fica o antigo convento das Bernardas, desde 1530 entregue às Monjas de Cister. Já foi fábrica de moagem e de massas a vapor. Está desactivada já à algum tempo, prevendo-se que ali seja criado em breve um condomínio privado. É pena que este belo edifício não seja aproveitado pelo Estado para projectos bem mais aliciantes do que alojar famílias com posses. Mas entre deixar este edifício cair aos bocados, e a intervenção que se projecta, mais vale esta última solução.

Meditação

sábado, 11 de outubro de 2008

Vamos à missa? Mostro algumas igrejas e capelas que podem visitar no interior da Lusitânia, entrar e meditar sobre a nossa identidade como país agora muito ameaçado, pelos ventos da globalização moderna (económica e financeira), nós portugueses enquanto fazedores da primeira globalização espiritual que se conheceu.


Interior de capela (Arredores de Alandroal)


Igreja da N. Senhora da Encarnação e dos Mártires (Castro Marim)


Capela do Calvário (Peniche)


Igreja nos arredores de Pechão (Algarve)

Visual

terça-feira, 7 de outubro de 2008


Este é o meu novo visual. Espero que sintam geral conforto em estar aqui.

Ano de 68 e outras histórias associadas - 2ª. parte

sexta-feira, 3 de outubro de 2008


Já de barba serrada - deixei o "444" uma loção tipo geleia para as afecções e borbulhas da cara e que aconselho a adolescentes - passei ao "Old Spice". Ainda hoje o uso. E, lancei-me às feras.
Ficava-me a "matar" aqueles sapatos de lona com sola de corda e as camisas com bolinhas com várias cores e calças "Levis". Graças aos Porfírios estava na onda psicadélica da época. Estava longe de ser um "beatnicks" mas já usava cabelo comprido. Também usava uma sacola a-tira-colo, que transportava o Emile Zola com o seu "Germinal", uns livrinhos de bolso editados pela "Europa-América" que é fácil ainda hoje de conseguir. Ouvia a estação de rádio "Em Órbita" onde me apercebi da importância social que tinha nas pessoas da minha geração, as canções de Bob Dylan e Leonard Cohen. As minhas preferências políticas e de classe, já iam para a defesa intransigente dos operários e camponeses, mas só de longe vinham os ecos da deflagração estudantil generalizada em Paris, e da invasão soviética na antiga Checoslováquia que dificilmente chegavam a Portugal.
Gostei da praia de Armação de Pera, da vida tranquila de Silves, do deslumbramento que é o espectáculo das amendoeiras em flor, do topless da Monika, da algarviada da Elsa e do Germinal do Zola.

Ano de 68 e outras histórias associadas

segunda-feira, 29 de setembro de 2008


Com a certeza da minha incorporação no serviço militar e o espectro da guerra colonial no horizonte próximo, fiz uma viagem até ao Algarve onde passei 5 dias. O verão estava quente e era o ano de brasa. Houve o Maio de 68 em Paris e a Primavera de Praga. Dois factos políticos importantes. Ouvia-se na rádio, Scott McKenzie, S. Francisco Be Sure to Wear Flowers in your Hair.
Abasteci-me de algumas roupas nos Porfirios uma loja da baixa de Lisboa virada para a moda jovem, que rivalizava com o Grandella e a Casa Africana. E lá fui para o sul. Assentei arraiais em casa de familiares (primos bem afastados) em Silves e foi lá que conheci a Monika, uma sueca abrasiva que adorava latinos. Estive com ela numa BOA (Base de Operações Avançado). Falamos de tudo e até da obra completa do Ingmar Bergman, que eu só conhecia Os Morangos Silvestres.
O Algarve naqueles tempos já estava a despontar, mas ainda não havia a moda das lojas Pizza Hot ou Burger King, daí ter levado o tempo todo a comer sandes de atum, para guardar algum dinheiro para as festas com a Monika. Eu andava vitorioso. Era a primeira vez que conhecia uma sueca. Antes só conhecia a Anita Ekberg e a Ingrid Bergman dos écrans de cinema. Um dia quem estragou aquele sucesso que se estendeu por dois dias, foi a Elsa que ficou fascinada com a minha cultura cinematográfica, ao ouvir a descrição que fiz da cena mais famosa do filme O Ultimo Tango em Paris com o Marlon Brando e a Maria Schneider. A Elsa era uma algarvia cheia de arrebites que afastou definitivamente a sueca. Conhecia todos os parques de diversão do Algarve o que me divertiu imenso. Estava muito interessada em sair dali (stupid place to be) segundo ela. Pois, mas o meu futuro é que não era lá muito risonho. E não foi!

Pergunta

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Um livro de Kafka poderá ler-se uma só vez, mas tem de pensar-se muitas vezes. Um livro de Flaubert ou Eça poderá ler-se muitas vezes, mas pensar-se uma só. Pergunta-se: se depois de os leres a ambos tivesses de ficar só com um, qual deles guardarias na biblioteca? Vergílio Ferreira.

Dilema.
Há muitos Flaubert, logo pode-se ler muitas vezes e o Eça também, e é português. Como sou conhecedor das pequenas coisas dos portugueses, deixava também este e guardaria o Kafka.
O Kafka tem mais humanidade.