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Circunscrever

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A economia portuguesa não goza de boa saúde. As condições de vida agravam-se. O caso é sério. Alguns portugueses já vão de lancheira com o almoço para o trabalho. Já vi outros com a marmita abastecerem-se de sopa nos restaurantes. Constato menos automóveis a circular aqui na cidade de Almada. Entretanto, um dos putativos candidatos à liderança do maior partido da oposição, Patinha Antão, declara se for o eleito que vai baixar o IVA, IRS e o IRC., além de outros benefícios fiscais. Assim, sem mais nem menos. É caso para dizer, Ó Patinha Então?!

Dizem os americanos: We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash. Respondem os portugueses: We have José Sócrates, No Wonder, No Hope and No Cash.

Com uma conjuntura difícil, sem uma política social credível e sem uma oposição apelativa, só podemos ter Sócrates e viver sem esperança e sem dinheiro.

O Benfica em Angola

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pois. Ficam a saber que sou adepto do Benfica, mas um adepto moderado e critico, e não fico nada frustrado com os seus insucessos desportivos nem exultando com os seus sucessos. Mas fiquei emocionado com a deslocação de uma delegação do SLB a uma missão católica de Luanda que alberga miúdos que ficaram extasiados com a presença dos seus ídolos. Já não gostei da oferta de uma camisola do clube da luz ao presidente daquele país, representante de uma classe política corrupta que nada têm feito para minorar o sofrimento das crianças e do povo angolano. Conheci bem aquela gente e aquelas maravilhosas crianças que ainda não esqueceram o que de melhor existe na Luzitânia. O desporto mesmo o de alta competição, serve também para dar um abraço de solidariedade para com aqueles que são alvo de injustiças e da cobiça dos seus representantes.

Sem assunto

sábado, 17 de maio de 2008

Costa da Caparica

Igualmente perdido no silêncio de uma cidade cheia de percursos acidentados, devido às obras do metro de superfície, e sem assunto, fui ver o mar.

"Shine a Light"

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Aproveitando a boleia dos preços mais baratos das segundas, fui ver o filme-concerto "Shine a Light" do realizador Martin Scorsese com os Rolling Stones.

Concerto atípico mais intimista e com um alinhamento de canções que não é habitual quando os Stones actuam em grandes estádios. Claro que lá está também "Jumping Jack Flash", "Start Me Up" e o sempre esperado "Satisfaction", mas também um momento extraordinário no "Champagne and Reefer" com o "bluesman" Buddy Guy.

A montagem é excelente, sendo curioso nos intervalos de algumas canções momentos de entrevistas antigas dos membros do grupo, em que se denota uma certa timidez nas reacções e o rídiculo de algumas perguntas da imprensa da época. Os Stones eram aves exóticas numa sociedade ainda muita conservadora - inicio dos anos sessenta - e que dava um gozo especial chocar as mentalidades.

Martin Scorsese o realizador que melhor sabe retratar e filmar Nova Iorque, não podia de deixar terminar o filme-concerto com um grande plano da cidade.

Lembrei-me do plano final do magnifico "Gangs de Nova Iorque".


Livros de Bolso

segunda-feira, 5 de maio de 2008















Um costume que está agora a generalizar-se, graças à editora D.Quixote, é a publicação de excelentes obras em formato de bolso. Uma prática já há muito enraizada no estrangeiro e que tardava aparecer por cá. São edições mais baratas e de bons autores e que se transporta facilmente e que pode ser lido em qualquer lado. Esta colecção chama-se Biblioteca de Autor e além deste "Sapho" de Alphonse Daudet, podemos encontrar, "Os Versículos Satânicos" de Salman Rushdie, "Memória de Elefante" de A. Lobo Antunes, entre outros.

Este "Sapho" que li numa penada em apenas dois dias, é um livro com uma história muito interessante e muito bem escrito de um autor que me surpreendeu.

É claro que também comprei "Os Versículos Satânicos", que se encontrava na minha lista de prioridades há bastante tempo.

O Homem sem Qualidades

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Acreditem que não fui este fim-de-semana ao Estoril Open. Não tenho por hábito ir ao futebol. Nas férias não jogo golfe. Causa-me impressão e não estou minimamente preparado para discursos perante grandes auditórios. Não sou jurista e a contabilidade aborrece-me todos os dias. Os cálculos e as engenharias sempre foram para mim motivo de estados febris e de inanição. E, como não estou disposto a sacrificar as minhas dúvidas sobre o republicanismo vigente, convicções e amor- próprio por um cargo, declaro que não irei candidatar-me a presidente do PSD.

Alentejo

quarta-feira, 16 de abril de 2008


Além do Tejo é a extensão do alento. Quilómetros de estradas sem fim, agora com os campos cobertos de uma verdura de várias matizes. Aqui e ali o amarelo, o branco, o purpura, o vermelho das papoilas e o castanho da terra. Mais do que sentir a sensação de um passeio pelo Alentejo, quem passar por estas terras tem que meditar. E como diz o poeta que, nada haja de mais expressivo do que o limite nítido entre a intimidade do homem e a integridade do ambiente.

Percorrido e visitado Alcácer do Sal, encontramos a pequena aldeia de Santa Susana com suas casas brancas e azuis, a caminho de Santiago do Escoural. É no silêncio da paisagem que se enche a alma, mantendo através dos tempos essas características inconfundíveis das terras alentejanas.

Em Santiago pequena aldeia com suas ruas estreitas, os arcos, as silharias, as abóbadas e os coruchéus das suas casas, os pequenos largos, os sabores dos seus vinhos, a açorda de coentro, na casa típica do Manuel Azinheirinha, sentir assim, fora do nosso quotidiano, são sensações únicas.