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Crepúsculo

terça-feira, 19 de agosto de 2008


Há medida que a idade vai avançando, sinto que regressaram alguns medos iguais àqueles que nos povoaram a nossa existência quando fomos crianças.

Além de cada vez ter mais medo de andar de avião e apesar de cantar Peniche, a verdade é que ainda não fui visitar as Berlengas, por receio de atravessar aquela parte do Atlântico, apesar de ter inteira confiança no alto profissionalismo dos tripulantes do barco "Avelar Pessoa", que em 4o minutos faz a travessia, às vezes contra ventos e marés que é de arrepiar. É como voltar à gesta quinhentista.

Dizem, contudo, que vale a pena o desembarque, porque as Berlengas é o contacto com a natureza em estado selvagem. Mas preciso de mais coragem. Ninguém é perfeito.



III - Crónica da Passagem dos Dias

Valorizar os Dias

terça-feira, 12 de agosto de 2008


Pode-se perguntar, o que fazemos aos dias despreocupados das férias? O que se faz para melhor passar o tempo. Ou melhor "matar" o tempo. Dou por mim, a passear no jardim das Caldas da Rainha, a dar de comida aos patos no enorme lago artificial. Claro que, dá-se um mergulho na Foz do Arelho. Prova-se a ginjinha em Óbidos e caminha-se junto ao molhe Leste, apreciando as ondas furiosas contra as rochas junto da Fortaleza. Á noite na esplanada do Oceano, aprende-se melhor a palavra "amigos de Peniche", e fala-se do comportamento dos patos das Caldas da Rainha e do aquecimento global. Ao som do hino da Maria da Fonte tocado pela banda da filarmónica local, assiste-se à abertura da feira do vinho no Bombarral. A prova dos vinhos em exposição fica para mais tarde, assim como a visita à Quinta das Cerejeiras, onde é produzido o néctar. Claro que, no dia seguinte dá-se um mergulho na praia da Alfarroba, depois de terminar a leitura de "Os Males da Existência" de António Sousa Homem. Valoriza-se o supérfluo, mas é altura de se rejeitar a televisão, as desgraças, e os negócios do Estado. Com o tempo vamos ficando mais leves e mais torrados e um pouco mais velhos. Só um pouco.

II - Crónica da Passagem dos Dias

Passagem dos Dias

terça-feira, 5 de agosto de 2008



Já lá vai o tempo em que passava horas a derreter o corpo ao sol no imenso areal. A olhar o mar e o seu horizonte. Hoje em dia estou menos exposto à obrigatoriedade de ter o tom bronzeado da pele. Isso já não me diz nada. O que continuo a apreciar é a sociabilidade na época balnear e a despreocupação dos dias. Sobretudo à noite numa esplanada em amena cavaqueira, com a família, amigos ou conhecidos de outras férias. Isso ainda é possível em Peniche. Os temas das conversas variam de ano para ano, conforme o que de mais relevante se passou nos noticiários da nossa televisão, durante as anteriores estações do ano. Os temas geralmente não são tratados ao pormenor e salta-se com facilidade de um para outro tema, no intervalo de um pedido de um cone recheado de gelado de apenas dois sabores. É o touch and go.

O mês de Julho é o melhor mês para se passar uns dias gloriosos de sol em Peniche. O Agosto é mais traiçoeiro, normalmente com as neblinas bem cedo e as nortadas por vezes a estragar o dia para a turba estendida no imenso areal. É nessa altura que os nossos amigos, uma vez convidados a passar uns dias connosco, perguntam espantados de como é possível escolher passar as férias na antiga ilha Pelágia, agora encostada ao continente, formando uma península, a cidade de Peniche.



I - Peniche - Crónica da Passagem dos Dias

Solto

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cidadela de Peniche (foto tirada da praia do Baleal)

A partir de amanhã estou solto. Quem me quiser ver é na praia da Alfarroba e de tanga vestido, perto da Papoa com paisagem do Baleal em fundo.

Boas férias para todos.

Quinta dos Loridos

segunda-feira, 30 de junho de 2008




Impressionado com a destruição das estátuas de Buda no Afeganistão, pelos talibans - os libertadores da humanidade - Joe Berardo criou este enorme espaço de vegetação, árvores de sobreiros e carvalhos, um lago artificial, rodeado de inumeras estátuas de Buda e de outras divindades orientais.

A Quinta dos Loridos, fica a poucos kilómetros do Bombarral e é uma exposição a céu aberto. Boa ideia Joe!

«Não corro como corria
nem salto como saltava
mas vejo mais do que via
e sonho mais que sonhava»

Agostinho da Silva

Jogo Perdido

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Quando o amor é muito sublimado, sem razão aparente, normalmente, é um jogo perdido. Mas vamos ouvir a extraordinária voz de Amy Winehouse em Love is a Losing Game. Depois...depois descer à terra.


Scolari

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O futebol faz parte integrante da cultura de um povo. O português gosta particularmente do futebol e vive apaixonadamente tudo que se relaciona com ele, sobretudo quando está em jogo a selecção nacional. A questão, no entanto, não é para mim muito pacifica, embora goste também de assistir a uma boa partida de futebol. Não é pacifica, porque o futebol ao mais alto nível, perdeu a sua ingenuidade inicial, para se tornar presa fácil de uma concepção economicista do desporto, assente na lógica de investidores e empresários. Entretanto, o fan do futebol, aquele que o vive diariamente, continua agarrado à sua paixão, sem que se aperceba que faz parte integrante de um sistema globalizante de interesses, que tudo condiciona ultrapassando os nacionalismos e clubismos existentes, sem contudo, tirar qualquer proveito. A não ser ajudar a sua auto-estima, qual catarse colectiva.

Toda a gente ficou espantada com a decisão do seleccionador nacional, L.F. Scolari ter anunciado a sua saída da selecção das quinas para em breve cumprir um contrato super milionáro no clube inglês do Chelsea. Tudo isto numa fase crucial do europeu em que a selecção é parte interessada. Por isso, foi muito criticado o timing do anúncio daquela decisão. Mais interessante, é que segundo se sabe agora, no hotel da selecção passearam agentes nos corredores à procura de negociatas. Os alvos preferenciais são as figuras mais mediáticas do planeta do futebol e da selecção nacional e sobretudo a sua principal vedeta, o famoso nº. 7 C. Ronaldo.

Scolari faz bem em tratar da sua vidinha, mas o seu apelo à defesa dos seus atletas e aos interesses da selecção e ao seu "patriotismo" nunca me enganaram.

Scolari foi muito inteligente ao explorar as idiossincrasias do povo português e o contexto em que vivia na altura a selecção nacional. Encenou uma farsa - o caso das bandeirinhas nas janelas e o apego a Portugal - mas para seu proveito próprio. O que ganhou em termos desportivos? Nada. E desconfio que nada mais vai ganhar. E desculpem os meus visitantes da Luz itania pouco versados nestas coisas da ciência do futebol, o Felipão é um zero em termos tácticos, mas sim muito forte apenas no aspecto psicológico. Foi aqui que ele ganhou e enganou os mais incautos.

Não se enganem, esta gente anda toda a tratar da sua vidinha, desculpando-se com a alegria do povo e desta industria que faz movimentar milhões.