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Novos Tempos

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O relativismo com que se trata hoje todas as coisas causa-me apreensão. Existe um distanciamento para as questões da metafísica, porque o fundamental é mergulhar e confundir-se na vida agitada que conhecemos, absortos nas nossas conveniências particulares. São os tempos da soft-ideologia. É uma filosofia da força das coisas. Uma espécie de crença. Pensar é chato, daí o relativismo puro e duro. Um passo para o individualismo, conformismo e o efémero.
Siga-se a lógica. Chegou o verão, as férias e a evasão. Mas o regresso é inevitável. O regresso à resignação dos acontecimentos, ou melhor, dos não-acontecimentos.
Boas férias para todos e até ao fim do mês.

Associativismo

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Há dias numa conversa com um amigo que conheci numa colectividade que outrora já conheceu melhores dias, falava-se na dificuldade de se encontrar pessoas válidas - não só pessoas válidas -mas pessoas, para fazer parte de uma direcção de qualquer colectividade, mesmo num concelho como o de Almada, outrora um baluarte do associativismo. Sabes, disse-lhe eu, as pessoas fugiram todas para a política. E nessa fuga a par das pessoas válidas, foram muita gente, sem qualquer preparação uns, e por oportunismo e carreirismo outros, que aproveitando o comboio do poder local democrático, se instalaram a coberto dos partidos políticos. Não admira, por isso, as histórias das Fátimas Felgueiras, dos Valentins Loureiros, dos Avelinos Ferreiras Torres e de muitos outros desconhecidos que ocupam neste momento as cadeiras de certos pelouros das diversas autarquias. A minha argumentação parece que não surpreendeu o meu amigo e parece que não surpreende ninguém.

Lisboa

quinta-feira, 14 de junho de 2007


Esta é a minha cidade. A cidade da minha infância, sempre cheia de luz, dos pregões matinais, dos ardinas, das vendedeiras de frutas e legumes que percorriam a cidade, dos páteos e quintalinhos e das ruas estreitas.

Nasci em Alcântara, na rua Maria Pia, precisamente nesses pedaços quadrados onde habitavam várias famílias, que se conheciam e se ajudavam na labuta diária naqueles dias cinzentos. Por esta altura das festas dos santos populares, esquecia-se as tristezas e dificuldades da vida, e com o páteo colorido de bandeirinhas e balões, saltava-se à fogueira, enquanto a miudagem pedia um tostãozinho pró S. António.

No Largo Prior do Crato, meu avô tinha um quiosque onde vendia tabacos, jornais e revistas e onde eu passava grandes momentos de magia a observar os eléctricos antigos, abertos nas laterais e de bancos de madeira apinhados de gente e o comboio de mercadorias proveniente do cais de Alcântara. Íamos almoçar numa taberna que dava ligação à Garagem Modelo, que ainda hoje existe, mas sem a algazarra dos operários que vinham das fábricas e das docas ali tomar a sua refeição.

Em frente está o rio. O tal Tejo que falam os cronistas, onde chegam e partem navios de transporte de mercadorias e de passageiros. E onde deslizava nas suas águas fragatas de vela ao vento com as gaivotas cruzando o céu de Lisboa.

[...]Mas já não há céu, céu e rio desapareceram por trás duma cortina de asas em desordem. E num momento assim, ternamente, confiadamente, qualquer amante de Lisboa se sente ainda mais ancorado à cidade que o está a ver partir. José Cardoso Pires.

Já não é esta a minha cidade nos tempos que correm. Passaram alguns anos, a cidade estendeu-se, com a chegada de imigrantes, e do regresso dos portugueses de África, o tecido social e os costumes alteraram-se profundamente. Eu diria que dramáticamente.

Num filme que recentemente foi exibido na RTP, precisamente com o título "Lisboetas", na cena final deste documentário, algures numa clínica, um casal de imigrantes russos esperam o nascimento do primeiro filho. Após o nascimento por indicação dos pais, a menina vai chamar-se Alexandra. Que poderia chamar-se Luísa ou Fátima! Luísa ou Fátima Kopriskaya. A seguir, o filme-documentário terminava apenas com a palavra FIM. Significativo.

Mas eu continuo a amar Lisboa, as suas ruas com os seus típicos empedrados, e as suas calçadas, os monumentos, os jardins, mas principalmente a sua luz e ainda mais o Tejo.

Património

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Braga (Sé)


Santa Luzia


Tomar


Serralves

Sameiro

Melgaço

Visita aos Jerónimos

domingo, 20 de maio de 2007

É impressionante as visitas diárias ao Mosteiro dos Jerónimos, considerada a jóia por excelência da arte manuelina, gótico português que cristalizou a mística dos descobrimentos.
Foi no reinado de D. Manuel I, que antes era governador da Ordem de Cristo que foi incentivado as obras artísticas que pudessem expressar a realização do mito da pedra.
Promovida pela editora Zéfiro, esta peregrinação não se deve configurar exclusivamente como uma visita turística, como aliás, se diz no livro "Os Caminhos Esotéricos de Portugal" do historiador José Medeiros que dirigiu esta visita, mas sim captar, interpretar as vibrações de um local.


Mosteiro de Santa Maria de Belém doado aos monges Jerónimos, por vontade de D.Manuel I, cujo reinado, na primeira metade do século XVI, se atinge a India "por mares nunca dantes navegados" Os Lusíadas.

Túmulo de Luís de Camões

Diz-se que os Jerónimos são os Lusíadas em pedra dos descobrimentos ou que os "Lusíadas são os Jerónimos em verso.

Janela do Claustro (que tem o significado de o oculto, o fechado)

(...) Existe hoje uma grande conspiração internacional que não olha a meios para que os humanos deixem de procurar um sentido para a vida e o contacto com a realidade metafísica. (...) Desenraizar é a palavra de ordem. Um povo que perde a memória da sua história é manipulado com mais facilidade. Paulo Alexandre Loução "Dos Templários à Nova Demanda do Graal".

Nevoeiro

quarta-feira, 25 de abril de 2007



Nada melhor do que nesta data relembrar Fernando Pessoa. "É a hora!". Como este poema termina, bem necessita de encontrar eco no maior número de corações, neste dia de celebrações pouco mais ou menos solenes e oficiais, que vão sucedendo voluntariosas que não é mais do que uma frouxa transição para aquilo que todos os portugueses esperam, o renascer outra vez de Portugal.



Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!

Inquietações

domingo, 15 de abril de 2007

Uma das frases que tenho lido e que me deixou matéria para alguma reflexão foi que, este século ou será espiritual ou não será nada. Na verdade, o século XX promoveu a necessidade espiritual arrastando o homem para extremos inconcebíveis de um materialismo que nem sempre triunfou. Foi o século de duas guerras mundiais, das grandes revoluções sociais e políticas e das grandes transformações económicas, mas não obstante, não teve em conta a grande necessidade de transformar o homem. Podem chamar procura interior ou espiritualidade, é o que o homem moderno sente hoje que lhe faz falta, depois de acabar por descobrir quanto efémero e superficial é a sua vida que não se satisfaz apenas com uma vida material e um conjunto de satisfações materiais. É no fundo a antiga questão filosófica do Ser e do Ter.